Religião e Saúde (Dr. Roberto Romano)

Será que religião promove saúde? Joana D’Arc provavelmente diria que a religião de sua época não! Pelo menos quanto à saúde física. De fato, há muitos exemplos de doenças e mortes que a fé cega e a ignorância tem provocado.

Deixar de ir ao médico na esperança que só a fé no Alto possa remediar ou curar pode até ser fatal. Existe um caso de criança diabética, inclusive retratado recentemente em filme, cujos pais resolveram abandonar o uso da insulina, trocando-a pela oração e devoção. Resultado: a criança acabou morrendo.

Proibições filosóficas ou religiosas de transfusão de sangue, de doações de órgãos ou até de uso de preservativos, também podem abreviar a vida de muita gente. As guerras santas do passado e as tantas político-religiosas do presente matam mais que muitas doenças tradicionais. Felizmente estes exemplos não são a regra. Religião, em geral, alivia, cura e promove saúde, sim!

No passado, a crença no aspecto de religar com o Criador sempre esteve relacionada com a saúde das pessoas. As chamadas Santas Casas são um exemplo desta ligação, onde religiosos tratavam da saúde do físico e da alma ao mesmo tempo. O materialismo científico separou estas duas partes nos últimos anos, mas já se aproxima de novo como veremos.

A ciência da universidade está redescobrindo na religião e na fé meios de ajudar integralmente a saúde. Há dois anos, quase a metade das 125 escolas médicas americanas inclui a espiritualidade nas suas disciplinas. O novo médico quer saber mais das pessoas que estão em seus consultórios. Quer saber das dores físicas, mas também das dores da alma, para poder curar seus pacientes ou, ao menos, tentar. A medicina tradicional parece estar abraçando a espiritualidade por perceber que isso aliado aos conhecimentos científicos pode ajudá-la a melhor cuidar da saúde da população.

Uma pesquisa realizada nos EUA com 21 mil pessoas, entre 1987 e 1995, constatou uma diferença de sete anos na expectativa de vida entre aquelas que nunca freqüentaram cultos religiosos e as que freqüentavam mais de uma vez por semana. Pessoas que estão na igreja toda semana têm menos chance de serem internadas e, se forem, passam menos tempo no hospital que aquelas que vão à igreja com menos freqüência. Idosos religiosos parecem ter menos problemas de saúde do que os não religiosos.

Outro estudo realizado na Índia, em 1997, apontou que pessoas que rezavam regularmente tinham 70% menos chance de sofrer de doença das coronárias. Freqüentar locais de devoção tem relação com taxas menores de depressão e ansiedade, segundo a Universidade de Duke (estudo feito com cerca de quatro mil idosos, em 1999). Não só a oração, mas também a meditação, o tai chi chuan e a ioga provocam relaxamento, diminuem o estresse, a pressão arterial, a freqüência cardíaca e respiratória, além de aumentar a imunidade ou defesa do corpo.

Obviamente os religiosos estão menos expostos a fatores de risco, vida desregrada ou vícios diversos. Participam mais da vida o que protege contra ansiedade e depressão. Têm mais apoio social do grupo que freqüentam e dificilmente encontram-se isolados. Só por isto se justifica porque ficam ou permanecem menos doentes que os não religiosos. Não importa muito como esta proteção e restabelecimento da saúde ocorrem. O que vale é que na prática funciona e isto já basta para ser incentivado.

Podemos dizer que as religiões deixam as pessoas mais resignadas com a vida, mais corajosas, mais dispostas, otimistas, alegres e mesmo felizes. Tudo isto com reflexos nos hormônios, no sistema cardio-circulatório, imunológico, etc. São todas conseqüências observadas no mental e físico das pessoas de qualquer fé religiosa racional e desenvolvida. Não pode ser exclusividade dos tratamentos espíritas que funcionam em igualdade com outras maneiras de acreditar.

A espiritualidade maior age no encarnado merecedor de toda fé sincera, sem distinção, seja qual for o método de recurso terapêutico deste necessitado. A luz do Alto alcança também toda mente e é mão de alívio e cura que a medicina da Terra dispõe.

O correto, então, é unir recursos da ciência e da religião para uma saúde mais completa e duradoura, enquanto merecermos viver neste mundo de expiações e provas. Sempre melhorando a cada dia.