Ver ou Não Ver – Parte II (Dr. Roberto Romano)

Já vemos um ano novo: esperança do melhor, mudança dos velhos costumes, atitudes novas e visão ampliada pela experiência do ontem.

Vemos o que podemos. Os extremos possíveis, do grande ao pequeno, só com aparelhos especiais que ampliam nossa limitada capacidade de percepção.

O imenso é assim. Quanto mais distante, maior e mais luminoso ou irradiante deve ser o objeto para ser visto. Ex. a matéria mais longínqua que nossos olhos desarmados vêem é uma tênue nuvem no céu noturno: a galáxia vizinha, Andrômeda, com seus bilhões de estrelas, a dois milhões de anos luz da nossa galáxia, a Via Láctea, que precisa ser enorme e luminosa para ser percebida assim. Além dela só vemos com instrumentos de aumento como os telescópios.

Nossa percepção também é limitada para o minúsculo. Quando olhamos para objetos “maciços e sólidos” ao nosso redor, nem imaginamos que a maior parte deles é feita de buracos ou vazios enormes na matéria constituinte, os átomos e as moléculas, que a visão humana não percebe, senão com microscópios apropriados. Será que um dia poderemos enxergar através das paredes como o super-homem?

O ar que respiramos é formado de tantas moléculas como oxigênio, nitrogênio, gás carbônico, que se deslocam o tempo todo à nossa frente, entram e saem do nosso corpo, e não as vemos.
Animais vêem mais que nós?

Percebemos, visualmente, apenas uma estreita faixa do espectro existente, do vermelho ao violeta. Certas aves vêem até o ultravioleta. Cobras percebem os infravermelhos (calor). Aves rapinas como as águias têm a capacidade de focalizar a grandes distâncias sua presa na hora da caça. Alguns camaleões giram os olhos quase 360 graus, ampliando bem seus campos visuais. (o nosso pouco passa de 180 graus). Felinos têm acuidade visual até seis vezes melhor que o homem: uma adaptação à caça noturna. Animais marinhos, como o polvo e a lula, têm olhos muito desenvolvidos adaptados para a vida escura das profundidades. Certas aranhas, com oito olhos, usam dois para a visão principal e outros seis para percepção de movimentos laterais.

A glândula pineal ou epífise, que em certos lagartos funciona como terceiro olho, localizada bem junto da pele, na cabeça deles, é capaz de perceber claridades. Ela é a bússola nas aves e funciona guiada pelo magnetismo da Terra, permitindo vôos migratórios ou o encontro do destino certo para os pombos-correio. Seria como uma extensão da limitada visão dos homens. Por que será que muitos animais conseguiram escapar do maremoto recente na Ásia?

Somos seres visuais por excelência. É mais fácil guardar uma imagem do que uma frase. Na verdade, ao pensarmos, transformamos tudo em imagens visuais ou ilustrações. Quando imaginamos criamos figuras ou quadros que ajudam na seqüência de raciocínio que desenvolvemos. Temos uma filmadora na cabeça o tempo todo disposta a funcionar. Quando alguém nos fala ou lemos, vamos também criando imagens de interpretação. Ou seja, os outros sentidos como audição, percepção da escrita, gustação, tato, olfação são transformados em visões próprias para cada um, na casa mental. Sentir o cheiro de um bife leva-nos à imagem do mesmo, imediatamente. Toques também são registrados como imagens conforme o agente do estímulo na pele. Ver pode ter pelo menos 32 sentidos, segundo o Dicionário Aurélio.

Visões alucinatórias e delírios podem acontecer, segundo a ciência, em agressões diversas do cérebro, tal como: traumas, falta de oxigênio, febre, infecção, drogas, estados moribundos…
Será que estas condições explicam todos os casos de visões no leito de morte?

Parece haver uma proteção superior da visão que podemos ter do passado, do presente e do futuro.

Pela benção do esquecimento não nos lembramos do que fomos e fizemos em tantas imagens guardadas no íntimo do nosso espírito. No presente, estagiamos num corpo que não pode penetrar nas formas pensamentos dos nossos semelhantes, mesmo os que convivem conosco. O futuro raramente pode ser visionado em seus detalhes, pois não temos ainda capacidade de assimilá-los.

Deus nos protege em todos os sentidos do tempo, nesta dimensão. Evoluídos, poderemos ampliar tais visões sem grandes problemas para nosso progresso.

Mas estas condições não são absolutas nesta vida atual. Podemos perceber além dos limites dos nossos sentidos, coisas aparentemente ausentes, que estão por toda parte, até onde nossa alma possa estender sua ação. Em transe superficial, esta visão chama-se vidência, um fenômeno mediúnico. Dupla vista, capacidade da própria alma e, portanto fenômeno anímico. Em transe profundo, chamamos clarividência.

A visão da alma não tem sede determinada como no físico (olhos-cérebro). Situações de crise, sofrimento, meditação, oração podem exacerbar estas capacidades de visão, cuja utilidade pode ser relativa. Nosso primeiro compromisso ainda é com os seres desta dimensão, mesmo havendo outras.

O que fazer diante de tantos convites que a vida desenha e nos oferece freqüentemente?

Precisamos aumentar nosso campo de visão.

Conhecer a verdade, a claridade e a liberdade, sem atalho…

Sugestão: Caminho da Luz, com muito trabalho!