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Ler ou Não Ler (Dr. Roberto Romano)

“É preciso saber viver”, diz o refrão. E parece que já temos muitas aquisições do saber em nossa bagagem evolutiva, mas aprender, ainda, nunca é demais.

Aprendemos com tudo e com todos, sem parar. As fontes do saber são inesgotáveis e temos pelo menos seis sentidos para percebê-las. A visão representa uma das melhores maneiras de novos conhecimentos. Somos seres visuais. Uma imagem pode valer mais que mil palavras escritas ou faladas.

Na verdade, ver e ler se completam, em geral, como todos percebem.

Precisamos sair das limitações da ignorância a cada infância. O gosto pela leitura deve ser incentivado bem cedo e com muita ternura. Necessitamos de informação e troca de conhecimentos. Registramos de muitas fontes o saber para uso presente e futuro, mas o cérebro não tem condições de tudo arquivar (num local principal chamado hipocampo). Daí a necessidade de outros registros fora da cabeça.

Antigamente fazia-se a extensão dos arquivos naturais cerebrais em anotações simples como folhas, pergaminhos e papiros. A impressão de livros começou aproximadamente no século VIII, no Oriente e XV, no Ocidente. Hoje os arquivos modernos são discos, vídeos, fitas e computadores que garantem uma enorme quantidade de informações a qualquer hora que se precise.

A nossa casa mental (consciência única) se amplia, com pelo menos outros 6 bilhões de consciências encarnadas, através destes arquivos artificiais citados, onde todos têm deixado suas idéias (verdades ou mentiras) e formam uma grande consciência coletiva desta humanidade.

Ler é como entrar na mente de outras pessoas. Adquirir novos conceitos e referências. Pela leitura uniformizamos os conhecimentos.

É da lei se comunicar, interagir e progredir. Nossa mente está se adequando, cada vez mais a novas capacidades. Talvez, lá na frente, conseguiremos nos comunicar diretamente pelo pensamento. Enquanto isso não é possível nesta dimensão e estágio, temos de nos contentarmos com os sentidos de que dispomos. Lembremos aqui o exemplo dos surdos e mudos que lêem pelos gestos e dos cegos que lêem pelos dedos.

A linguagem tradicional, escrita e falada, expressa em muitas línguas e dialetos, é aquisição fantástica, lenta e progressiva de milênios, quando grunhidos, gritos e rabiscos foram nossas primeiras expressões. Hoje falamos, escrevemos e entendemos com tanta propriedade e facilidade através de áreas específicas do cérebro bem desenvolvidas e localizadas (área da fala, área do entendimento, etc.) e selecionadas pela necessidade e pelo tempo.

Nossa memória, tão limitada ainda, expressa-se, no corpo físico, através de uma estrutura cerebral chamada hipocampo, como já se falou. Ele parece ser ativado de acordo com seu uso mais ou menos freqüente (taxistas londrinos que necessitam estar sempre se lembrando de muitos nomes e locais de ruas daquela cidade muito complexa têm o hipocampo mais desenvolvido, por exemplo). Ler é um bom exercício para esta e outras áreas do cérebro ligadas à memória.

Temos muitas oportunidades de aprender e crescer pela boa leitura, todos os dias de nossa vida. Devemos estar vigilantes, no entanto, para as sugestões e idéias que não estão de acordo com nosso bom senso. Erasto (discípulo de Paulo) é quem nos recomenda, em psicografia, a recusar nove verdades a aceitar uma mentira.

É preciso ler, analisar e julgar o que é bom ou ruim, falso ou verdadeiro para esta vida de tantos capítulos. Aliás, é na linha de cada hora, nas páginas de cada dia que escrevemos o consciente livro desta nossa vida. E como estará a biblioteca de nossa existência?

Erudição não é sabedoria. Existem muitos analfabetos sábios. Ler demais não é prioridade. Acima de tudo, a história que estamos escrevendo na nossa lida diária é o que realmente conta…

Ler, saber ou viver? “É preciso saber viver”, diz o refrão!

Influência na Saúde - Parte II (Dr. Roberto Romano)

Estamos mergulhados num mar de influências. Tudo está interligado. A nossa saúde é o resultado da soma de incontáveis interações que ocorrem em níveis físico, mental, social e espiritual. A harmonia é alcançada desde os pequenos detalhes para que o global se mantenha.

As doenças mais severas como câncer e aids iniciam-se na intimidade das unidades celulares até que o organismo como um todo resulta enfermo. Antes que isso aconteça muita luta é exercida pelas nossas defesas naturais que geralmente vencem o mal e nem percebemos as autocuras internas que acontecem.

Queremos lembrar que Deus, a Fonte de tudo, o Bem infinito é saúde total ou perfeição e que fomos criados à Sua imagem, portanto, sendo de origem divina, todos nós recebemos influências imensas e constantes para restabelecer nossa vocação de amar, sermos felizes e saudáveis.

Ele nos criou, sustenta, reintegra e atrai como um ímã poderoso, aguardando que restabeleçamos o contato com o todo. Somente pela troca de experiências, de amor e bênçãos isto é possível. Façamos nossa parte…

A lei é clara: os mais adiantados devem ajudar os iniciantes de jornada. Este processo é infinito. A eternidade não se prolonga só para o futuro; ela se refere também ao passado interminável de modo que o bem vem se acumulando sem limites sobre o mal desde o princípio. Em outras palavras, há mais luz que trevas, mais protetores que obsessores, mais vida que morte em todas as direções do universo que estamos começando a descobrir.

Qual o limite do amor? Somos os únicos canais por onde pode passar esta essência divina…e o Pai está a esperar o tempo necessário para nossa abertura à esta verdade.

Renovação é a ordem. O tempo dos segundos aos anos que percebemos repete continuamente esta lição de vida: um novo dia é sempre oportunidade bendita de agir, renovar forças e adquirir mais experiências. Um ano novo como este 2003 que está começando é referência maior de novos planos nesta existência.

Quantas bênçãos do céu em nossas mãos! Quanto podemos fazer pelos outros ainda nesta vida! Com oração? Sim, mas ajudando nossos irmãos.

Influências na Saúde - Parte I (Dr. Roberto Romano)

“Todo conhecimento humano é incerto, inexato e parcial”.
(Bertrand Russel)

O homem verdadeiramente não é uma ilha. Não pode viver isolado dos outros e se assim fica já está doente. Isolamento é fator de risco maior para a mente e o coração que os tradicionais: colesterol, açúcar ou pressão.

Contato é saúde, troca de conhecimentos, experiências e energias. Influenciamo-nos o tempo todo, mesmo não percebendo.

O monge que medita liga-se à origem de tudo e, portanto já não está só, mas precisa completar esta experiência com seu próximo trocando influências indispensáveis. Nada na natureza está parado e assim continuará para sempre. É a lei maior.

Toda influência pressupõe agente e receptor. O primeiro age sobre o segundo provocando resposta. Necessita haver afinidade ou sintonia para esta interação.

Nosso corpo é riquíssimo em influências. Praticamente todas as células e órgãos, interagem entre si, provocando mudanças constantes em seus funcionamentos. O cérebro é o grande comandante destas ações através dos seus fios de contato (neurônios) e suas secreções químicas (hormônios) interligando diversas glândulas (epífise, hipotálamo, hipófise, tireóide, pâncreas, adrenais, ovários e testículos) e afetando todo o organismo no seu equilíbrio.

Todas as informações externas são captadas pelos órgãos dos sentidos e interpretadas nos centros cerebrais trazendo diversos efeitos no corpo.

Captamos milhares de estímulos do ambiente que nos influenciam sobremaneira.

Os alimentos para nossa formação e manutenção física envolvem diversas sensações e influenciam nosso equilíbrio nutritivo interno (Somos também o que comemos).

As variações do clima como umidade, temperatura, pressão, luminosidade, mudam nosso interior a todo o momento:

- Ficamos mais alegres com a luz e o calor da primavera-verão e mais tristes quando os dias ficam nublados no inverno (distúrbio afetivo sazonal(1) ou depressão da estação).

-Temos sangue mais concentrado nas montanhas que ao nível do mar por força da pressão de oxigênio nestes lugares.

- Nossos ritmos internos (acordar, dormir, pressão, temperatura, função dos órgãos) acontecem em grande parte pela rotação da Terra – o dia e a noite que a epífise(2) percebe e sinaliza para aquelas glândulas já citadas.

Amigas com atividade conjunta e prolongada podem menstruar ao mesmo tempo. Neste caso a influência parece estar no ar: são agentes voláteis (ferormônios) exalados pelo grupo que sincronizam os hormônios sexuais internos.

Reproduzimos comportamentos, maneiras de pensar, falar e agir, expressões faciais parecidas com as pessoas de nossa convivência. É fácil perceber a profissão ou a religião de desconhecidos pela simples observação dos seus modos.

Filhos adotivos parecem-se com os pais (apesar dos genes diferentes). Casais apresentam traços muito semelhantes com o convívio prolongado.

Concluindo: Somos influenciados e imitamos o tempo todo, mesmo sem perceber bem. Pena que os exemplos do mal predominem ainda nesta nossa dimensão.

Mas existe uma Consciência Cósmica do Bem sem limites, a nos chamar e a nos influenciar o tempo todo. Precisamos ser mais receptivos a tantas bênçãos que nos rodeiam.
A LUZ MAIOR que conhecemos está aniversariando este mês.

Parece que influenciados por esta sintonia de Natal somos mais amigos, solidários e amorosos nesta época.

Lancemos nosso desafio de assim ficar por todo o ano, motivando nossos companheiros da mesma forma!

Ver ou Não Ver (Dr. Roberto Romano)

Vemos porque temos olhos que funcionam na presença de luminosidade. Mas o que veio primeiro, o olho ou a luz? Parece que foi a luz da estrela denominada Sol para todos nós terráqueos. O estímulo luminoso produz o desenvolvimento do órgão em geral, e, portanto órgãos visuais são conseqüência da claridade.

Animais criados na escuridão quase não enxergam ou tem olhos atrofiados. Eles precisam de outros sentidos para suas percepções. Morcegos usam mais a audição no escuro ambiente de caça; recém-nascidos vêem pouco devido a escuridão do útero materno onde estavam; uma criança levada para ser criada numa caverna ficaria cega por falta de estímulo visual.

O caminho da luz do olho ao cérebro: córnea, humor aquoso, pupila da íris (cor), cristalino (lente), humor vítreo, retina, nervo óptico, vias ópticas cerebrais e finalmente córtex cerebral occipital (acima da nuca).

A visão é o sentido menos estimulado na vida intra-uterina como já vimos. Quando nascemos somos capazes de focalizar apenas 20 a 30 centímetros, distância que vai da mama ao rosto da mãe, podendo ele interagir com ela. No terceiro mês de vida começamos a ganhar capacidade de visão em profundidade e a focalizar melhor num processo que se completa aos sete anos. Aos quarenta anos inicia-se a perda de acomodação do cristalino (vista cansada).

Aos sessenta anos aumenta o risco de opacidade desta lente (catarata). Aos oitenta anos cerca de 10% das pessoas já apresentam degeneração da mácula, na retina, com perda visual causada pela radiação ultravioleta e prevenida com óculos protetores.

Humanos enxergam uma pequena faixa do espectro de luz que vai do vermelho ao violeta. Somos cegos para outras faixas e só através de aparelhos podemos percebê-las.
Necessitamos de dois olhos para ver em profundidade ou três dimensões. È com a ajuda dos músculos dos próprios olhos e do pescoço que ampliamos nosso campo visual.

Piscamos para lubrificarmos e protegermos os olhos e às vezes, para nos comunicarmos. Fechamo-los para não vermos, para nos desligarmos, concentrarmo-nos, dormirmos, meditarmos e para facilitar outros sentidos. O sexto sentido, inclusive.

Através dos olhos vemos e somos vistos. Os médicos avaliam doenças como diabetes, hipertensão, integridade do cérebro, coma e até a morte pelas alterações oculares.
Janelas da casa mental expressam muito bem todas as nossas emoções e estado de espírito.

Como chorar ou rir sem eles?

Vemos o que queremos ver. Nosso cérebro pode interpretar realidades de maneiras muito alteradas. Diante do medo uma simples sombra pode parecer um fantasma ou objeto ameaçador. Formamos muitas imagens irreais pelo estado emocional do momento. Há ilusões por toda parte. As pinturas, além da subjetividade do autor, expressam segundo nossa cultura, o estado mental e emocional do autor e ao serem vistas e admiradas podem ser avaliadas por aspectos diversos.

Este mundo de fenômenos não é o que parece ser à primeira vista…

Mas, somos seres visuais. Perdemos grande percentagem do olfato no ciclo evolutivo das espécies e ganhamos visão. Aprendemos e fixamos muito mais com as imagens do que com sons e leituras. Ainda assim, não podemos esquecer: “o essencial é invisível aos olhos.” Nossas percepções extras, como intuição e inspiração, estão em desenvolvimento e poderão permitir sentirmos o próximo cada vez melhor, em suas emoções, seus sentimentos e seus pensamentos (telepatia) no futuro.

A visão do Natal pode estar distorcida no tempo: Jesus não nasceu em 25 de dezembro do ano zero, mas entre 3 a 6 anos a.C.. Também há controvérsias quanto ao lugar de nascimento: Belém, Nazaré ou outra pequena aldeia próxima ao mar da Galiléia. Mas, Sua importância, não podemos subestimar.

Como estaria este mundo sem Sua Vinda na carne, entre nós?

Ser especial, Sol de nossas vidas, com visão do nosso passado, conhecendo nossa origem, nossas ignorâncias e fraquezas, assim como a perspectiva do nosso futuro.

Intermedeia o Pai em todos os passos do nosso progresso e a ampliação das nossas consciências.

Ele trabalha com uma equipe imensa de auxiliares, da qual fazemos parte, ajudando outros irmãos a aumentarem seus campos de visão.

Natal não é mais um novo dia no calendário. É festa contínua, esperança e motivo de alegria para todos os homens deste planeta, mesmo os que não O conhecendo através da história, já o vivenciam todos os dias em suas vidas.

É preciso ver para crer?
Não, é preciso simplesmente com Ele fazer!

Hipocondria (Dr. Roberto Romano)

A hipocondria é uma doença de convicção. É o medo obsessivo de estar doente. Popularmente conhecida como “mania de doença”, a pessoa imagina e vivencia a presença constante de um mal que não existe na realidade. Mesmo com exames de consulta, laboratório, RX, etc., a pessoa não aceita o diagnóstico de que está em condições saudáveis.

Acomete de 1 a 6% da população em geral, até 15% de certas populações de idosos e cerca de 5% dos freqüentadores de consultórios.

Há interpretações errôneas dos sintomas. Preocupação excessiva e sem fundamento. Valoriza-se demais qualquer manifestação do corpo. Para muitos a doença acabará com sua vida.

Hipocondríacos conhecem bem várias doenças, seus sintomas, bulas e tratamentos. Trocam de médicos constantemente e sempre trazem consigo pastas enormes de exames. Insistem e sofrem com o mal imaginário. Contudo, o problema está no pensamento e quando dura mais de seis meses, já se diagnostica a hipocondria. Noutras situações, mais passageiras, há traços do problema, condição muito mais comum. Alimentada pelas informações da internet está surgindo a “cibercondria”: o doente imaginário culto amplia suas fontes de informação.

Outro aspecto da doença: doentes reais do físico, em formas leves, aumentam exageradamente seus sintomas e queixas. É o caso da pessoa que tem artrite e não quer mais andar ou do cardíaco que exagera na manifestação de falta de ar. Essas simulações podem ser conscientes ou não.

Ainda não se conhecem bem as primeiras causas da hipocondria. Mas, a seguir tem-se uma relação de alguns fatores e associações de risco:

a) Educação superprotetora criando dependentes e necessitados de atenção persistente.

b) Contato com outros doentes, geralmente graves, ou com a morte de pessoa conhecida. Exemplos são: o medo de estar com câncer (oncofobia), mania do estudante de saúde de estar com a doença que está sendo diagnosticada.

c) Diminuição da auto-estima. Personalidade metódica.

d) Sentimentos de culpa ou visão da doença como punição.

e) Negativismo, pessimismo, baixo astral, depressão, ansiedade, sofrimento antecipado, preocupação com tudo.

f) Psicose com delírios e mania de perseguição (dentro de si).

g) Transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

h) Medo exagerado (pânico).

i) Influências genéticas, familiares, sociais e auto-obsessão.

Hipocondríacos têm dificuldade de relacionamento familiar e social pela insistência das queixas e irritação por se considerarem mal compreendidos. Sofrem mais que o normal, pois valorizam a dor mais banal. Toda semana, 80% das pessoas comuns têm sintomas de algum problema, sem significar doença.

Hipocondríacos respondem mal a tratamentos como exercícios, psicoterapia ou drogas para ansiedade e depressão. São casos crônicos: 10% se curam, 70% têm recorrências e 20% tem a vida sofrida continuamente. Estes pacientes são um grande desafio para os médicos gerais ainda despreparados para lidar com o assunto. Psiquiatras são os mais indicados.

Posições extremas são sempre perigosas. Hipocondríacos podem ser operados ou medicados sem necessidade, por tanta queixa. E pessoas que nunca se acham doentes podem estar perdendo a chance de cura se o diagnóstico fosse mais precoce. Equilíbrio sempre é a melhor opção.

Receita mais certa: emoção com razão!